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Intuição de mãe – Será que ela existe? Funciona mesmo?

O que é a intuição da mãe?
Sentimentos fortes ou intuição, é a ideia de tomar decisões sem raciocínio analítico. Especialistas dizem que as sensações intestinais são sinais do cérebro para o sistema digestivo e vice-versa. Antonio Damasio, doutorado em neurocientista e professor da Universidade da Califórnia, acredita que as emoções desempenham um papel fundamental na tomada de decisões, referindo-se ao instinto intestinal como marcadores somáticos – ou seja, sensações físicas vindas de emoções.
Nem todos os especialistas estão convencidos de que as mães têm um sexto sentido, mas concordam que as mães podem ser mais sensíveis ou suscetíveis a pistas específicas.

“As mães tendem a ter prioridades ou tendência diferenciada que as levam a perceber ou se concentrar em coisas distintas”, diz Sarah Blaffer Hrdy, Doutora antropóloga.

Mas então, como isso é explicado? Tudo começa no útero.

“A ascensão e queda dos hormônios gestacionais durante o o período da gravidez, junto com o aumento da ocitocina durante o trabalho de parto, são para as mães uma grande capacidade de resposta. A principal prioridade de uma nova mãe é frequentemente garantir a segurança do bebê e ela nunca baixa aguarda quando sente alguma coisa errada”, diz o Dr. Hrdy.

Mas às vezes, o que pensamos ser intuição da mãe, na verdade não é. Em vez disso, é ansiedade disfarçada de nossos sentimentos fortes. Shimi Kang, psiquiatra, pesquisadora em neurociência e mãe de três filhos, estudou a diferença.

“O problema com nossos instintos é que, quando estamos desequilibrados, eles tendem a nos levar na direção errada. A intuição é o conhecimento natural que nos foi dado pela natureza e só pode ser acessado em um lugar de consciência e calma. Os instintos podem estar errados, mas a intuição está sempre certa”, ressalta.

Judith Orloff, psiquiatra, concorda.

“A intuição vem como neutra, sem carga emocional e quase impessoal – apenas informação. O medo, por outro lado, tem uma alta carga emocional e pode estar relacionado a problemas de ansiedade que a mãe desenvolveu”, completa.

E como aliviar a ansiedade na maternidade?
A primeira coisa que precisamos fazer como pais é realmente reconhecer se o que estamos sentindo é real ou induzido pela ansiedade. Uma boa maneira de fazer isso é aprender a aliviar sua ansiedade. Dra. Orloff recomenda um foco no bem-estar.

“Desenvolva uma prática de autocuidado, pois a intuição não pode ser avaliada quando estamos estressadas”, explica.

Ela ainda sugere a prática de exercícios para respiração e da atenção plena, além de meditação e gratidão como formas de estar melhor e em sintonia consigo mesmo, e reduzir os sintomas de ansiedade.
Outra técnica útil? A Dra. Orloff diz que pode ser bom para as mães registrar suas principais causas de ansiedade e estar cientes de quando cada uma delas surge em suas vidas.

“A ansiedade tem uma forte carga emocional em comparação a intuição, que normalmente é uma informação neutra”.

E às vezes, para entender a diferença entre intuição e ansiedade você pode precisar de ajuda.

“Se a mãe tende a ficar excessivamente ansiosa com os filhos, a ajuda de um profissional pode ser importante para guiar a decifrar os próprios sentimentos que causam a ansiedades, o que faz você acreditar que as intuições são verdadeiras”, diz o Dr. Orloff.

A terapeuta familiar, Susan Caso, acrescenta que a terapia pode ajudar a identificar o que é realmente a verdadeira intuição.

“Quando os pacientes começam a se consultar comigo, muitas vezes pensam que vou dar-lhes respostas, conselhos e orientação. Meu trabalho, na verdade, é guiá-los para encontrar suas próprias respostas. Poderíamos dizer que estou ajudando-os a despertar sua voz interior, ganhar confiança em sua própria voz e ajudá-los a identificar isso, saber se ouvir”, ressalta.

Quando a mãe deve confiar na intuição?
Ainda pode ser um desafio determinar quando devemos ouvir essa tal voz interior, mesmo quando você sabe que não é induzida pela ansiedade – principalmente se houver outras pessoas tentando silenciá-la ou contradizê-la. Às vezes, deixamos o que outras pessoas pensam começar a abafar nossa própria intuição.

“Nossa vozinha interior pode ser silenciada pelo medo – o que os outros estão fazendo, o que os outros diriam, o que os outros acham que eu deveria fazer. Acabamos aceitando muitas outras opiniões e nos tornando mais confusos. Um bom processo é ouvir seu instinto, se concentrando nos seus pensamentos. Não há nada de errado em consultar alguém em quem você confia, mas isso não pode ofuscar a sua própria voz interior”, ressalta Dr. Caso.

Glennon Doyle, mãe de três filhos e autora de um livro best-seller do New York Times, acredita que todas as respostas – seja uma situação difícil dos pais ou qualquer outra questão de vida – estão dentro de você.

“No livro, eu chamo isso de nosso ‘Saber’. Às vezes, confiar em nosso ‘Saber’ como mãe pode significar estar em desacordo com as ideias, medos e preocupações daqueles que nos amam – até mesmo nossas próprias mães”, conta.

Ela ainda acrescenta que isso é importante, pois também se torna um bom exemplo para nossos filhos.

“À medida que nos comprometemos a viver como modelos para nossos filhos, acabaremos criando filhos que confiam em si mesmos e que vivem de seu próprio ‘Saber’, que, para mim, é o valor mais importante que podemos transmitir às nossas crianças”, acredita. No final do dia, você acaba conhecendo ainda melhor seus filhos. Se você é capaz de separar a ansiedade ou o medo como a base de um sentimento ou intuição em particular, está liberado confiar nessa sua ‘intuição’.

FONTE: Pais e Filhos

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