LEGADO E O DESAFIO

Em Santa Catarina, a história do agronegócio é contada em gerações. Mas fixar a família na terra e garantir o futuro exige mais do que tradição: exige gestão, segurança e, acima de tudo, uma parceria sólida. A família Marchesan, produtora de leite em Concórdia, é um retrato dessa longevidade. O agricultor Ildo Marchesan viu a propriedade, iniciada pelos avós, se expandir por décadas. “O meu pai e eu e os meus filhos estamos tocando a propriedade há muitos anos. A história vem há mais de 40 anos que a propriedade produz e entrega o leite para a cooperativa”, conta.

No entanto, essa continuidade não é automática. Ela depende da viabilidade econômica e da oportunidade oferecida aos sucessores. “Precisa ter um sucessor, e dentro da família só acontece quando as pessoas trabalham junto e mostram os resultados, tem visão de onde você quer chegar”, reflete Ildo. É neste ponto que o cooperativismo atua como a garantia da permanência.

DA REJEIÇÃO À OPORTUNIDADE

Para o produtor Gerson, a Copérdia representou uma virada de jogo. Depois de uma experiência anterior negativa com o cooperativismo e uma rejeição do setor privado, a cooperativa local abriu as portas para seu investimento na suinocultura.

“Eu não consegui a vaga para implantar a granja e na Copérdia eu cheguei lá, pedi a vaga, eu era sócio apenas um ano e foi assim muito pronto, fui recebido muito bem. Saí de lá com a vaga já para começar a construção. Então foi a partir dali a questão econômica da propriedade deu uma alavancagem muito grande”, afirma Gerson.

Para ele, o grande benefício não é apenas comercial, mas relacional. “O benefício que a gente tem é ser tratado como uma família. Não é exclusivamente só aquela questão comercial, aquela parceria de negócios, mas a questão familiar também. A gente é muito bem atendido, bem recebido, ser ouvido.”

 

CONSOLIDAÇÃO E R$ 60 MILHÕES EM INVESTIMENTO

Ter a confiança do produtor no campo é o primeiro passo. O segundo é garantir a infraestrutura para que o negócio prospere. Para Vanduir Martini, presidente da Copérdia, a estratégia é clara: a consolidação.

“É a consolidação da cooperativa onde ela está, ou seja, oferecer mais serviços ao cooperado, fazer investimento nas unidades onde a gente já está,” explica Martini.

Foto: Sandro Mesquita

A necessidade de investimento é urgente, especialmente no setor de grãos. Santa Catarina é deficitária na produção de cereais, sobretudo milho, matéria-prima essencial para as cadeias de proteína (suínos, frangos, leite). “A gente tem uma deficiência muito grande, vem muito milho de fora e hoje a gente tem uma dificuldade também de armazenagem dentro do Estado de Santa Catarina,” alerta o presidente.

Para suprir essa demanda e dar segurança, a cooperativa aprovou um aporte maciço: R$ 60 milhões em investimentos. “Nós temos aprovado na casa de 60 milhões de reais em investimentos, então esses investimentos estão aprovados, são projetos que estão sendo desenvolvidos… eles vão acontecer.”

 

GESTÃO E INCENTIVOS: A PONTE ENTRE O CAMPO E A CIDADE

O sucesso da nova geração depende de tecnologia e, principalmente, de gestão. A cooperativa atua como a ponte entre a inovação e o produtor.

Ildo Marchesan destaca a importância do suporte técnico para a bovinocultura: “Principalmente assistência técnica, principalmente o melhoramento genético, requer uma atenção bem especial de pessoas profissionais que atuam e entendem do assunto.”

O Tempo / Geral / Prefeitura de Concórdia concede novos subsídios de horas- máquinas aos produtores rurais
FOTO: Prefeitura de Concórdia

O apoio à gestão é reforçado pelo presidente Vanduir Martini: “A gente tem vários programas, por exemplo, de gestão, de propriedade, parcerias aí com o Senar, com o SEBRAE, onde a gente trabalha isso de forma muito assídua.”

Um dos pontos de destaque é a parceria inédita com o poder público municipal em Concórdia. A cooperativa e a prefeitura uniram forças para reduzir custos logísticos, um fator crítico para investimentos.

“É um município de Concórdia, esses projetos que aprovaram de subsídio de Hora Máquina para tantos metros quadrados de construção de uma propriedade, porque a gente sabe que esse custo de terraplanagem é muito elevado,” relata Martini, mostrando como o incentivo direto colabora para viabilizar projetos de expansão das granjas e estábulos.

 

REMUNERAÇÃO DA COTA CAPITAL: A “POUPANÇA” DA NOVA GERAÇÃO

A cooperativa, que pertence ao produtor, consolida a segurança financeira dividindo os resultados. O sistema não só remunera o esforço do cooperado com a distribuição de sobras, mas agora oferece um atrativo financeiro de longo prazo para a sucessão.

“Uma novidade também que a cooperativa implementa, a gente fecha o resultado. Define uma taxa de juros para a gente remunerar essa cota que está na cooperativa,” explica Vanduir Martini. “Então o produtor tem lá uma espécie de uma remuneração, que é como se fosse uma poupança.”

É esse retorno financeiro sólido que permite a Gerson planejar o futuro da família, transformando o interesse da filha em um projeto empresarial concreto.

“As minhas filhas, elas têm muito interesse nisso já. A mais velha, quando fez 16 anos, eu emancipei ela. Já fizemos bloco do produtor rural, ela associou na cooperativa, para ir já movimentando alguma coisa no nome dela, para ir tendo gosto pela situação,” revela Gerson.

A garantia da rentabilidade e da gestão transparente é o que sustenta a confiança. Como resume Ildo Marchesan: “O agricultor é o dono da cooperativa, então se ela vai bem, o agricultor tem retorno disso. Então a cooperativa, com certeza, é a garantia que todo investimento dentro da propriedade é bem sucedido.”

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