Concórdia – A Justiça da Comarca de Concórdia realiza nesta sexta-feira (18), a partir das 9h, o júri popular de Guilherme Henrique Martinazo acusado por tentativa de homicídio contra Darlan Mezacasa, 36 anos. Além de homicídio duplamente qualificado na forma tentada, o acusado também responde por corrupção de menores, já que um adolescente de 17 anos também foi indiciado.
Uma mulher de 21 anos chegou a ficar presa e foi indiciada no inquérito policial, mas em maio de 2017 foi retirada do processo e posta e liberdade. Na época da diligência policial, os mandados, que foram expedidos pela Justiça de Concórdia, foram cumpridos nas cidades de Chapecó e Guatambu. A polícia ainda busca indícios da participação de um outro homem no crime.
A tentativa de homicídio foi praticada no dia 06 de novembro de 2016, por volta das 20h30, na Rua Alemanha, no bairro das Nações, em Concórdia. Darlan Mezacasa foi atingido por seis disparos de arma de fogo, após ser chamado para atender supostos clientes que solicitavam um orçamento para uma pintura. A vítima foi atendida por equipes do Corpo de Bombeiros Voluntários e conduzido ao hospital São Francisco pelo SAMU em estado gravíssimo. Após passar por cirurgias e ficar internando por um longo período, Mezasaca conseguiu se recuperar dos ferimentos.
Entrevista para Atual FM
Em casa, ele recebeu a reportagem da Atual FM e contou os detalhes do desentendimento que teve com o rapaz suspeito de ter disparado pelo menos 18 vezes contra ele na porta da sua casa na Rua Alemanha. O crime ocorreu em um domingo, quando um dos envolvidos se apresentou querendo falar com Mezacasa em busca de orçamento para pintura.
No momento em que ele saiu para fora do imóvel vários disparos foram feitos com uma pistola e um revólver. Duas pessoas atiraram, porém Mezacasa acredita que pelo menos cinco estão envolvidos no crime. Três que armaram o “esquema”, uma mulher e o motorista que ajudou na fuga, ou seja, estava dirigindo o veículo.
“Quando eu subi a escada, quando estava na metade o cidadão puxou uma pistola 380 e já descarregou em mim. Primeiro tiro pegou no abdômen. Eu já senti uma queimadura muito forte, mas eu ainda tive força pra caminhar. Um tiro também pegou na minha perda e eu caí na escada e eu senti as balas “zunindo” passando pela minha cabeça. Só deu tempo pra gritar pra minha irmã e minha esposa”.
Já baleado, Mezacasa foi retirado da linha de tiro pelos familiares. “Meus três filhos, minha esposa e minha irmã estavam presentes na hora do crime. Foi um milagre de Deus que nenhuma bala pegou em ninguém.
O pintor afirma que ficou todo o tempo consciente e lembra dos familiares tentando estancar o sangue que jorrava com as perfurações provocadas pelos tiros.
“Eu pensei nos meus três filhos e disse ao meu vizinho – que ajudava no local – que cuidasse das crianças. Eu percebia que estava perdendo a vida e poderia morrer”, relatou.
Quando da chegada da viatura dos Bombeiros Voluntários, Mezacasa lembra que foi colocado na ambulância e levado em alta velocidade ao Pronto Socorro. Somente depois de ser medicado, acabou dormindo e algumas horas depois acordando na UTI com dezenas de pontos na barriga devido a intervenção dos médicos.
MOTIVAÇÃO
Mezacasa reconhece que houve um desentendimento alguns dias antes com o rapaz que teria sido o responsável pelo crime. Entretanto, ele disse que foram ameaças mútuas, ou seja, os dois estavam se desentendimento por questões profissionais. Na época, um áudio com a voz de Mezacasa circulou pelos grupos de WhatsApp, porém ele afirma que o suspeito também lhe teria ameaçado. Entretanto, as gravações feitas pelo suspeito não foram repassadas.
“Eu sempre fui um cara de não levar desaforo para casa. Isso vai vai ficar gravado na minha memória na minha alma pra sempre. Eu amo meus filhos, não tem dinheiro não tem coragem que compre a felicidade do pai poder abraçar o filho. Eu sei que não sou um cara fácil de conviver, mas eu sempre fui trabalhador”.
Darlan Mezacasa tem duas filhas de sete e quatro anos e um menino de um ano e seis meses.
“Eu não quero vingança, vou deixar na mão da Justiça. Eu não quero nada mais com esses caras e quero que a justiça seja feita. Os meus filhos passaram por um grande trauma”, relatou
