Novas conversas vazadas de autoridades via o aplicativo Telegram, divulgadas pelo site The Intercept Brasil podem gerar um fato novo em relação a prisão do então deputado federal, João Rodrigues (PSD), após condenado em segunda instância pelo Supremo Tribunal Federal no caso da retroescavadeira de Pinhalzinho. A matéria apresenta diálogos e sugere que a prisão do parlamentar teria sido “em uma boa hora”, para justificar na sequência a prisão do ex-presidente Lula (PT).
De acordo com o site, o procurador Deltan Dallagnol teria usado o Movimento Vem Pra Rua e o Instituto Mude, para tentar influenciar através de atos públicos e publicações em redes sociais a escolha do novo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, após a morte de Teori Zavascki em um acidente aéreo no litoral do Rio de Janeiro.
O ministro Luiz Edson Fachin assumiu a relatoria ainda em 2017, mesmo ano em que Alexandre de Moraes ocupou a vaga deixada por Teori, porém, o favorito de Deltan para ser o relator era o ministro Luís Roberto Barroso, favorável a prisão em segunda instância, e que acabou votando pela condenação e imediata prisão de Rodrigues, sendo contra o relator Luiz Fux que pediu a absolvição.
Como o STF já havia discutido sem tomar uma decisão sobre a prisão em segunda instância, pairou a dúvida sobre Moraes que ainda não havia emitido a sua opinião. De acordo com o Intercept Brasil, inclusive, o então novo ministro teria se tornado alvo dos movimentos sob uma suposta coordenação de Deltan Dallagnol, para que se manifestasse em relação a prisão em segunda instância, logo após o Tribunal Federal da 4ª Região ter confirmado em janeiro a condenação do ex-presidente Lula (PT) no processo do tríplex do Guarujá.
Pressionado, Moraes teve no julgamento do caso envolvendo João Rodrigues a oportunidade de mostrar o seu posicionamento sobre a segunda instância, tanto, que o jornal Estado de São Paulo um dia antes da sessão do STF, abordou o caso destacando que seria conhecido o posicionamento de Moraes sobre o caso, através de seu voto.
A matéria do Intercept destaca diretamente o caso, ao afirmar que por causa da pressão ou não, certo é que em 6 de fevereiro, Alexandre de Moraes fez o que Dallagnol, a procuradora Thaméa Danelon e o Movimento Vem Pra Rua desejavam: votou a favor da execução da pena do deputado federal João Rodrigues, que havia tido uma condenação pela Justiça Federal confirmada em segunda instância. Neste caso, estava aberto o caminho para a prisão em segunda instância do ex-presidente da República.
Vale destacar que o SCemPauta não contesta a condenação de Lula no caso do Tríplex do Guarujá, mas chama a atenção a coincidência das datas casado a necessidade de justificar a sua prisão antes da decisão do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, ainda é necessária a comprovação da veracidade dos diálogos, porém, uma vez comprovado que Rodrigues pode ter sido usado como justificativa, podemos estar à frente de um dos maiores escândalos do judiciário brasileiro. (Por Marcelo Lula)
Conversas do Telegram sugerem que a prisão de João Rodrigues ocorreu para justificar a prisão de Lula
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