Curitibanos – Após mais de 20 horas de sessão, o Tribunal do Júri da comarca de Curitibanos condenou dois réus a penas que, somadas, ultrapassam 60 anos de prisão, em regime fechado, pela morte de um homem em situação de rua. O homicídio fazia parte de um plano para simular a morte de um dos envolvidos e criar uma falsa narrativa sobre seu desaparecimento. Além da condenação pelos crimes, eles terão de pagar indenização moral de R$ 110 mil aos herdeiros da vítima.
Os fatos ocorreram em fevereiro de 2025, em São Cristóvão do Sul. De acordo com a denúncia, os condenados atraíram a vítima, um homem em situação de vulnerabilidade, para uma área rural sob o pretexto de oferecer ajuda. O objetivo era matá-lo e utilizar o corpo para simular a morte de um dos envolvidos, numa tentativa de enganar familiares e autoridades.
Ainda conforme os autos, após o homicídio, o corpo foi queimado dentro de um veículo, às margens da BR-470, com a intenção de dificultar a identificação da vítima e comprometer as investigações. A denúncia também apontou a realização de ações destinadas a criar uma falsa narrativa sobre os fatos e a induzir a erro os órgãos responsáveis pela apuração do caso.
Os réus montaram uma série de provas falsas para tentar convencer que um deles havia sido sequestrado, torturado e morto. A encenação incluiu vídeos, mensagens ameaçadoras, uso de identidades falsas e até a amputação de um dedo.
Ao analisar as provas apresentadas durante a investigação e no curso da ação penal, o Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi praticado por motivo torpe, meio insidioso e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi reconhecida a responsabilidade dos réus pelos crimes de destruição de cadáver e fraude processual.
