Monitorar se a criança está se desenvolvendo dentro do esperado, em termos de altura e peso, é bem importante. Graças a essa vigilância constante, nas consultas ao pediatra, é possível identificar se o seu filho está dentro da expectativa da chamada curva de crescimento, de acordo com o sexo e a idade. Além de observar o progresso do crescimento em si, os indicadores dessa curva também podem apontar suspeitas de alguns problemas que, notados a tempo, podem ser combatidos ou evitados.
Na verdade, a observação da dupla peso e altura é anterior ao nascimento. Nas consultas de pré-natal, por meio de exames, como o ultrassom obstétrico, dá para checar como o bebê está se desenvolvendo:
“Na ultrassonografia, avalia-se as medidas dos ossos, da distância entre alguns deles, e a circunferência abdominal. Com isso, é feita uma estimativa do peso do bebê. Esses valores são jogados em uma tabela, onde se calcula o peso do bebê e a idade gestacional. Um pré-natal feito com atenção é fundamental na rotina de toda gestante, para cuidar da saúde dela e do bebê”, explica a ginecologista e obstetra Erica Mantelli.
Veja que interessante: você sai das consultas de pré-natal com o peso e a altura do feto em mãos. Isso também acontece quando deixa a maternidade e ainda nas visitas mensais ao pediatra, depois que o bebê nasce. Não é à toa. Verificar se o pequeno está dentro de um percentil coerente para sua idade, sexo e seu padrão de desenvolvimento é essencial para saber se ele está crescendo com saúde.
“O percentil é um dado estatístico adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e serve como referência para verificar se a criança está se desenvolvendo bem e de maneira saudável”, diz a pediatra Francielle Tosatti, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, especializada em emergências pediátricas pelo Instituto Albert Einstein (SP).
Para medi-lo, leva-se em conta uma escala que vai de 0 a 100. Um exemplo de como funciona: imagine um grupo de 100 meninos saudáveis de 6 meses. A tabela da OMS contempla os percentis 3, 15, 50, 85 e 97. O P50 é a média, ou seja, significa que 50% desses bebês têm o comprimento de X cm. Logo, se um menino da mesma idade está no P85, significa que é maior e mais pesado do que 85% dos bebês da sua idade, o que pode ser normal para ele. É bom esclarecer que os percentis são apenas estatísticas que variam de acordo com a idade e o sexo da criança e servem como um referencial.
Na consulta de rotina, além de peso e altura, o pediatra também mede a circunferência cefálica, importante para acompanhar o próprio crescimento cerebral. Alterações para mais ou para menos podem levantar suspeita de distúrbios neurológicos ou microcefalia.
Genética e hábitos
Já sabemos da importância de acompanhar o peso e a altura da criança. No entanto, vale ressaltar que cada uma tem seu próprio ritmo de crescimento, seu histórico familiar e hábitos em casa. Assim, por mais que deva atingir determinados marcos do desenvolvimento num certo período, é bom levar em conta aspectos individuais de cada pequeno.
E, afinal, o que costuma interferir nessa equação? São vários fatores. Alimentação, qualidade do sono, atividade física e aspectos emocionais são os principais. Aquela história de que “precisa dormir para crescer” não é lenda.
“É durante o sono que o hormônio do crescimento é liberado, mais precisamente, por volta das 22h. Por isso, é bem importante que a criança vá dormir às 21h, o que prepara o organismo para esse processo”, diz a pediatra e neonatologista Cecília Gama Tartari.
A médica lembra, ainda, que a atividade física é outro fator que influi no ganho de peso e altura.
“De maneira simples, a explicação está no fato de o exercício ajudar na mineralização do cálcio dos ossos, ou seja, ele os deixa mais fortes”, afirma.
Mas atenção: a atividade não deve ser muito intensa, senão tem efeito contrário.
Nem precisa dizer quanto a alimentação é fator decisivo para o desenvolvimento. E isso ocorre desde a vida intrauterina. Após o nascimento, focar na amamentação e, mais para a frente, na oferta de comida saudável – com muitas frutas, vegetais e carnes magras – ajuda o pequeno a se desenvolver de forma positiva.
“Vale ressaltar que os alimentos ultraprocessados e os itens cheios de agrotóxicos podem influenciar na produção do hormônio do crescimento”, afirma Cecília.
Além de observar os marcadores na curva de crescimento da criança, lembre-se de levar em conta sua individualidade.

Investigação e providências
A comparação com filhos de amigos, parentes e amigos da escola não deve ser um parâmetro para desconfiar que algo está errado. Quem pode validar isso é somente o médico, ao observar a curva do crescimento e outras informações obtidas na consulta. Além disso, para efeito de informação, é importante saber que as crianças têm um ritmo característico de crescimento:
“A média é de 25cm por ano (0 a 1 ano); 12,5cm por ano (1 a 3 anos). A partir dos 3 anos até a puberdade, meninas, em geral, crescem 7 a 8 cm por ano e meninos, 8 a 9 cm por ano”, diz Francielle Tosatti.
Em relação ao ganho de peso, vale saber que ele é mais acelerado no primeiro semestre de vida.
“Nos primeiros seis meses, o bebê praticamente fica só engordando, e pode ganhar entre 600 g e 1 kg por mês. Depois desse período, quando passa a ser mais ativo, tende a ganhar menos, de 400 a 700g por mês”, afirma Cecília Gama Tartari.
Ao notar que as marcações na curva apontam déficits representativos, para mais ou para menos, o médico pode pedir exames, em geral, para investigar a produção de hormônios. E também um raio-X de pulso. Com esse recurso, é possível estimar quanto tempo a criança ainda vai crescer. Existe uma espécie de espaço que condiz com a idade óssea. Se o exame acusa que a criança tem idade cronológica de 8 anos, mas a idade óssea é de 12, significa que a tendência é ela ficar mais baixinha, porque está espichando antes da hora, por exemplo.
Tanto para as que estão acima ou abaixo da curva e suscitam preocupação, o tratamento vai depender da causa, podendo, em um pequeno percentual de casos, ser necessário entrar com medicação que module o eixo hormonal. O mais comum, no entanto, é fazer uma abordagem terapêutica direcionada ao problema, por exemplo, se o ganho de peso está prejudicado por alergias alimentares, investigar a quais substâncias a criança é alérgica e fazer esse controle.
Que altura o meu filho vai ter?
Dá para ter uma ideia de quanto seu filho vai crescer. Basta fazer uma conta simples. Para meninos, pegue a altura do pai, some 13 cm, some com a altura da mãe, e divida por dois. Para meninas, pegue a altura do pai, subtraia 13 cm, some com a altura da mãe, e divida por dois. O resultado pode ter variação de 5 cm para mais ou para menos. Pronto!
Fonte: Revista Crescer

