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Topazio Neto anuncia desfiliação do PSD com duras críticas; leia a carta

Florianópolis – Em um movimento feito no começo da manhã desta quinta-feira (19), o prefeito de Florianópolis, Topazio Neto, oficializou seu pedido de desfiliação do PSD. Através de uma carta aberta enviada à Executiva Estadual, ele expôs os motivos para a saída, e apontou divergências estratégicas e o que classificou como “truculência” por parte de lideranças da legenda (leia a carta na íntegra abaixo).

No documento, Topázio relata estar sendo alvo de tentativas de expulsão e intimidação após defender publicamente a reeleição do atual governador, Jorginho Mello (PL). O prefeito direcionou críticas severas ao presidente estadual do PSD, Eron Giordani, e ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues, afirmando que ambos agiram em “conluio” para silenciá-lo.

“Tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa”, afirmou Topázio, descrevendo as pressões sofridas nos últimos dias como uma “retaliação” às suas posições políticas. O ponto central, como se sabe, reside no apoio a Jorginho.

O prefeito, na carta, elogiou a gestão do governador. Para o prefeito, a insistência do PSD em lançar uma candidatura própria ao é um “projeto sem sentido” movido por “ego e vaidade”. Além da questão estadual, o prefeito apresentou um motivo da política nacional para sua saída: a indicação de que o PSD não apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Segundo Topázio, o partido caminha na direção oposta ao desejo do eleitor catarinense ao não se unir em torno de um nome sólido da direita.

O prefeito rebatou o rótulo de “traidor”, argumentando que sua parceria com o PL nasceu em sua campanha de 2024 e sempre foi de conhecimento das lideranças nacionais, como Gilberto Kassab, de quem afirma ter recebido “compreensão e respaldo”. Ele também cita o apoio dado pelo presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD).

O prefeito afirmou que ainda não decidiu o futuro político. Ele admitiu que há o convite do Podemos, assim como de outras siglas, mas disse que a prioridade dele, neste momento, é o aniversário de Florianópolis, no dia 23 de março, e entregas na cidade. (Por NSC)

Leia a Carta:

À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina

Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do
Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.

Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais
valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz
com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu
partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.
Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em
conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido.
Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou,
e sei também a forma que eles costumam fazer política.

Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao
Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito.
Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que
essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e
deputada na próxima eleição.

Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus
companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que
tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o
bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.
Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É
possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um
caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.

Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor
projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello.
Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e
o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.

É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu
durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito
anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado.
Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.

Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um
trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro
das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares
de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer
discriminação, seja ideologica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer
quem está trabalhando direito?

Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja
gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás,
qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que
propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o
seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.
Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação
que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República.
Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um
nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.
Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais
me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu
partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu
pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD. Que Deus abençoe Santa
Catarina.

Florianópolis, 19 de março de 2026.

Topázio Silveira Neto
Prefeito da capital dos catarinenses

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