Qual a importância da alimentação para a saúde das crianças? O que não pode faltar no cardápio delas no dia a dia? O que fazer quando elas recusam os alimentos?
Quando o assunto é nutrição infantil, sobram questionamentos. Para ajudar pais e mães nessa tarefa, nutricionistas especialista em nutrição pediátrica responderam os principais questionamentos.
Alimentação equilibrada
Para uma alimentação balanceada, é necessário oferecer às crianças alimentos de todos os grupos alimentares desde o início.
“Na pirâmide alimentar, os alimentos são divididos de acordo com suas funções. Entre eles estão as leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico etc.), os cereais (aveia, milho, arroz etc.), os tubérculos (mandioca, inhame, cará etc.), as carnes, os laticínios (leite e derivados), as frutas e as hortaliças. Não podemos nos esquecer também do grupo das gorduras, óleos e açúcares, que devem ser consumidos pontualmente, dependendo da idade da criança”.
O equilíbrio no cardápio é essencial não só para a saúde das crianças, segundo o especialista, como também para o desenvolvimento do paladar.
“Os hábitos alimentares que elas adquirirem na infância serão levados por toda a vida”, completou.
A importância do café da manhã
A nutricionista Claudia Banduki, especialista em nutrição pediátrica, fala sobre o impacto da primeira refeição do dia na rotina dos pequenos.
“É preciso quebrar o jejum matinal. Do contrário, as crianças podem ficar sonolentas e sem energia, o que pode até mesmo atrapalhar o desempenho escolar”, alertou.
Ela lembrou, ainda, a necessidade de contemplar os grupos alimentares na refeição, incluindo frutas, cereais e proteínas (como leite e derivados). E se o filho não quiser tomar o café da manhã, o que os pais podem fazer? Nesse caso, não vale a pena forçar, segundo a nutricionista. O ideal é oferecer opções variadas, como mingau, vitamina (leite com frutas), tapioca, entre outros. Além disso, ela recomenda que a família faça a refeição com o filho, para dar o exemplo.
“A quarentena, aliás, já que não temos de correr para sair de casa pela manhã, é uma excelente oportunidade para nos sentarmos juntos à mesa”, relembrou.
Meu filho não come, o que eu faço?
“Ao ganharem consciência de si próprias e do mundo, as crianças passam a evitar o que não conhecem, desde o colo de um estranho até novos alimentos”, afirmou Nogueira.
No entanto, se o comportamento persistir, o pediatra recomenda atenção, pois pode ser um sinal de seletividade alimentar. Seu filho faz parte desse grupo? Segundo os especialistas, a orientação é oferecer os alimentos em preparos diferentes, em várias ocasiões.
“Há estudos que falam em até 15 vezes. Mas não é preciso contar, nem riscar da lista os alimentos que a criança recusou. Porque talvez naquele dia ela apenas preferiu uma fruta à outra”, disse a nutricionista Claudia.
Além disso, o pediatra Nogueira ressaltou que, assim como acontece com o adulto, é normal a criança não gostar mesmo de um ou outro alimento. Por fim, Claudia lembrou que a alimentação dos pais influencia a dos filhos.
“Minha filha de 2 anos, por exemplo, já observa o que tem no meu prato. Então, se você não comer o brócolis, seu filho não vai comer também”, disse.
Outra dica é incluir a criança na compra e no preparo das refeições, para aumentar sua curiosidade e, por consequência, a aceitação. Se mesmo com essas estratégias não der certo, o pediatra aconselha que a família busque ajuda profissional.
“Pois, caso o diagnóstico de seletividade alimentar seja confirmado, existe um risco de deficiência de nutrientes”, afirmou.
Como a alimentação influencia a imunidade
Mesmo as crianças que comem de tudo, segundo o pediatra Nogueira, podem ter carências nutricionais. Pois não é só a qualidade que importa, mas também a quantidade de nutrientes ingeridos.
“Nesse caso, os alimentos fortificados podem ajudar”, afirmou.
É o caso dos compostos lácteos, por exemplo, nome dado ao produto cujo principal ingrediente é o leite, mas que também traz outros nutrientes (como vitaminas, minerais e fibras) em sua formulação.
Segundo o pediatra, a deficiência de ferro é a principal causa de anemia na infância no Brasil, só para citar um exemplo. O especialista também ressaltou a importância do cálcio, para o desenvolvimento e crescimento dos ossos, e do zinco, para a produção de células de defesa no sangue. Já a nutricionista Claudia ressalta o papel das fibras na absorção dos nutrientes. Mas, para o pediatra, nenhum alimento deixa as crianças mais saudáveis por si só. Mais uma vez, é tudo uma questão de equilíbrio.
Fonte: Revista Crescer




