Depois de décadas em área de risco, 22 famílias realizam sonho da casa própria em Seara

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Seara – Depois de décadas convivendo com o medo de enchentes, frio intenso e moradias precárias, 22 famílias de Seara começaram nesta semana uma nova etapa de vida. Os moradores da área irregular conhecida como Marafon, localizada entre os bairros Nossa Senhora Aparecida e Monte Castelo, estão sendo transferidos para casas novas construídas no loteamento Morada dos Sonhos, no bairro Bela Vista.

A mudança é resultado de um acordo firmado entre o Ministério Público de Santa Catarina e o Município de Seara, que garantiu a realocação das famílias que viviam em situação de vulnerabilidade social e em área considerada de risco.

Entre os beneficiados está o operador de produção José Ailson Soares Catão, natural de Pernambuco, que morava há quatro anos na antiga área irregular junto da esposa e da filha Ana Catarina, de apenas quatro anos. Emocionado, ele falou sobre a expectativa de iniciar uma nova vida.

A dona de casa Iraci Jesuína Vitinski também comemorou a mudança. Ela é responsável pelos cuidados da neta, que possui deficiência física, e destacou a sensação de segurança e tranquilidade na nova residência.

Outro momento de emoção foi vivido pelo casal de idosos Mariano e Maria Muller, de 79 e 75 anos, que deixou a antiga área onde morava desde 2010. Acompanhados da filha Rosane Muller, eles acompanharam a chegada dos primeiros pertences na nova casa, entre eles um fogão a lenha e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O processo de realocação ocorre entre os dias 18 e 22 de maio. Após a saída das famílias, as antigas moradias estão sendo demolidas.

O acordo que possibilitou a construção das casas foi firmado em outubro de 2023 por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público e a Prefeitura de Seara. O município ficou responsável pelo cadastramento das famílias, construção das moradias e implantação da infraestrutura necessária, incluindo água, energia elétrica e saneamento básico.

Além disso, a Prefeitura deverá apresentar um projeto de recuperação ambiental da área anteriormente ocupada pelas famílias.

Segundo o Ministério Público, a urgência na retirada dos moradores aumentou após alertas relacionados ao fenômeno climático El Niño, que poderia provocar fortes chuvas, enchentes, deslizamentos e queda de árvores na região.