Concórdia – Os produtores de leite da região do Alto Uruguai catarinense seguem vivendo um cenário de grande incerteza e preocupação. A baixa valorização do litro do leite, aliada à falta de previsibilidade nos pagamentos, tem colocado em risco a continuidade da atividade em uma das principais bacias leiteiras de Santa Catarina.

Em entrevista à reportagem da Rádio Atual, o produtor rural Neudemar Metz, que possui propriedade na comunidade de Barra do Tigre, no interior de Concórdia, afirmou que o momento enfrentado pelos bovinocultores é extremamente delicado. Segundo ele, muitos produtores estão trabalhando no prejuízo, já que o valor pago pela agroindústria está muito abaixo do custo real de produção.

Além da desvalorização, Neudemar destaca como uma das maiores preocupações a ausência de previsibilidade no pagamento. Atualmente, o produtor entrega o leite e só fica sabendo qual será o valor recebido pelo litro cerca de 30 dias depois. Essa situação, conforme ele, inviabiliza qualquer tipo de planejamento dentro da propriedade rural.

“O produtor não sabe quanto vai receber, não consegue se organizar, investir ou mesmo prever se vai conseguir cobrir os custos do mês”, relatou.

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Outro fator que agrava a crise, de acordo com Neudemar Metz, é a importação de leite e derivados de outros países, especialmente da Argentina.

O excesso de produto no mercado interno acaba pressionando os preços para baixo, penalizando ainda mais quem produz no Brasil. Ele reforça que o Alto Uruguai catarinense tem papel fundamental na produção leiteira do estado, mas mesmo assim os produtores enfrentam dificuldades severas para manter a atividade.

O cenário para o início de 2026 também preocupa. Há informações extraoficiais de que o litro do leite pode sofrer uma nova queda já nos primeiros meses do ano, com redução que pode chegar a até 20 centavos por litro. Caso isso se confirme, a situação, que já é considerada crítica, pode se tornar ainda mais insustentável para muitos produtores.

Diante desse contexto, Neudemar Metz cobra das autoridades ações concretas para proteger o produtor rural, como medidas para limitar a entrada de leite importado e políticas que garantam maior estabilidade e previsibilidade nos preços.

Segundo ele, sem apoio e sem regras mais claras, cresce o número de produtores que pensam em abandonar a atividade, o que pode comprometer não apenas a economia local, mas também a produção de alimentos e a permanência das famílias no campo.

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