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Tricampeonato da Seleção completa 50 anos neste domingo dia 21 de Junho de 2020

O maior concerto da história centenária da Seleção Brasileira completa, hoje, 50 anos, mas tem raízes numa derrota que fará 70 anos no mês que vem. A conquista do tricampeonato mundial na Copa do México, em 21 de junho de 1970, na aula de futebol arte contra a Itália, no Azteca, começou duas décadas antes, em 16 de julho de 1950 — na segunda maior tragédia do futebol brasileiro. “1950 marcou o início de todas as nossas conquistas”, define um senhor de 88 anos, Mário Jorge Lobo Zagallo, no livro Dossiê 50, de Geneton Moraes Neto.
Todas. Principalmente, a de 1970. Maestro de Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Rivellino, Pelé e Tostão na goleada por 4 x 1 sobre a Itália, Zagallo era um soldado de 19 anos em serviço, no Maracanã, na derrota do Brasil para o Uruguai, por 2 x 1, na decisão da Copa de 1950. A 756km dali, uma criança chamada Edson Arantes do Nascimento sofria — e chorava — o vice ao pé do rádio do pai, seu Dondinho.
Mal sabia Pelé, no dia do Maracanazo, que as três conquistas teriam a parceria de um alagoano arretado nascido em Atalaia. Primeiro como jogador. Depois, técnico. Zagallo tinha 19 anos na final da Copa de 1950. Era um soldado que servia no quartel da Polícia do Exército (PE), na rua Barão de Mesquista, na Tijuca, pertinho do recém-inaugurado Maracanã. Jogava pelo time juvenil do Flamengo, mas, naquele dia, foi convocado para uma missão militar: fazer a segurança da arquibancada. O público oficial divulgado pela Fifa foi 199.854 pagantes.
“Vi o Maracanã em lágrimas pela primeira vez. A alegria que contagiou a todos nos jogos anteriores e no primeiro tempo do Brasil x Uruguai desapareceu. Quando o Brasil sofreu o gol de Ghiggia, baixou um desânimo, baixou um silêncio sobre o estádio. O Maracanã transformou-se, então, no maior túmulo do mundo. A arquibancada do Maracanã estava superlotada. Fiquei o tempo todo de pé, de frente para o campo, porque era minha obrigação. Vi o jogo inteiro. Fui escalado de propósito para aquela missão”, testemunha.

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