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Você sabe o que é "Cardiopatia Congênita"?

A expressão “cardiopatia congênita”, em si, já pode assustar um pouco. Quando pensamos que um indefeso bebê pode nascer (ou já nasceu) com esse problema, a tendência é nos preocuparmos. A primeira coisa a ser feita, no entanto, é se acalmar e procurar por um serviço especializado. As cardiopatias congênitas já são bastante conhecidas pela medicina e têm ótimas perspectivas de tratamento.
O que são cardiopatias congênitas?
As cardiopatias congênitas são diferentes tipos de malformações no coraçãozinho do bebê quando ele ainda está se desenvolvendo na barriga da mãe. As mais comuns estão relacionadas a alterações ou pequenos furos nas paredes que dividem o coração ou defeitos que dificultam a passagem sanguínea desse órgão para os pulmões ou para o corpo do bebê. Elas podem ser divididas em problemas que causam excesso de fluxo sanguíneo do coração para o pulmão (hiperfluxo pulmonar), diminuição de fluxo sanguíneo do coração para o pulmão (hipofluxo pulmonar) e doenças que causam obstrução à passagem do fluxo sanguíneo. Todos eles prejudicam o funcionamento normal do coração e, com o passar do tempo, o bebê poderá não aguentar suas consequências.
Exemplos de cardiopatias que causam excesso de fluxo sanguíneo para o pulmão:
• Comunicação intraventricular (a mais comum; corresponde a 20 a 40% do total de cardiopatias congênitas).
• Comunicação interatrial.
• Persistência do canal arterial.
Exemplos de cardiopatias que causam diminuição de fluxo sanguíneo para o pulmão:
• Estenose pulmonar.
• Tetralogia de Fallot.
• Atresia tricúspide.
Exemplos de cardiopatias que causam obstrução à passagem de fluxo sanguíneo:
• Coarctação da aorta.
• Estenose valvar aórtica.
• Estenose subvalvar aórtica.

Quais as causas das cardiopatias congênitas?
Não existe uma causa possível de ser identificada para a maioria das cardiopatias congênitas. Ou seja, elas estão associadas a alguma alteração genética que interfere na formação do coração do bebê. Em alguns poucos casos, porém, podem ter relação com a presença de doenças específicas nas mães durante a gravidez, como:
• Rubéola.
• Toxoplasmose.
• Lúpus.
• Hipotireoidismo.
Isso não significa, porém, que todas as mães que tiveram essas doenças terão um bebê com cardiopatia congênita. Trata-se apenas de um possível fator de risco.
Também são considerados mais susceptíveis às cardiopatias congênitas os bebês que nasceram com doenças cromossômicas, como:
• Síndrome de Down.
• Síndrome de Edwards (ou trissomia 18).
• Síndrome de Di George.
• Síndrome de Marfan.
• Síndrome de Noonan.
• Síndrome de Patau.
• Síndrome de Turner.
• Síndrome de Williams.
Nesses casos, o ecocardiograma fetal é ainda mais importante, mesmo que o ultrassom morfológico esteja normal. Só assim será possível avaliar as chances de o bebê ter uma cardiopatia congênita e programar melhor seu nascimento, proporcionando assim uma gravidez mais tranquila para toda a família.
Como diagnosticar as cardiopatias congênitas?
Para que as condições de tratamento sejam melhores, o ideal é que o diagnóstico de cardiopatia congênita seja feito ainda no pré-natal. Por isso, é fundamental acompanhar a saúde do bebê antes mesmo de ele nascer,
Alguns casos de cardiopatias congênitas podem ser diagnosticados no ultrassom morfológico. No entanto, o exame mais indicado, já que detecta de 70% a 90% dos casos, é o ecocardiograma fetal, realizado em geral durante a 28ª e 32ª semana de gestação.
Os médicos ginecologistas, obstetras e pediatras são, geralmente, os responsáveis por detectar as cardiopatias congênitas. No entanto, é fundamental que a própria gestante e seus familiares tenham consciência da importância da realização do ecocardiograma fetal e de outros exames que constatam essas doenças.

Depois do nascimento do bebê
Após o parto, exames físicos e outras avaliações complementares podem ser realizados pelo médico com o intuito de confirmar a presença ou não de problemas no coração do bebê. São eles:
• Ecocardiograma (exame mais importante)
• Teste do coraçãozinho (equipamento de oximetria de pulso é colocado na mão direita e em um dos pés do bebê para medir a quantidade de oxigênio no seu corpo).
• Raio X de tórax.
• Eletrocardiograma.
• Ressonância cardíaca.
• Tomografia cardíaca.
Alguns dos principais sinais e sintomas das cardiopatias congênitas nos bebês são:
• Dificuldade no ganho de peso.
• Cansaço e transpiração excessiva.
• Respiração pesada durante a mamada e o sono.
• Irritação frequente.
• Ponta dos dedos e lábios arroxeados (cianose).

Como tratar as cardiopatias congênitas?
Algumas crianças nem precisam de tratamentos específicos, somente de acompanhamento médico especializado. Na maioria das vezes, porém, o tratamento é necessário e exige cirurgia, o que, embora não seja o desejo de ninguém, é a única forma de resolver o problema e garantir uma vida saudável para o bebê.
Em cerca de 50% dos tratamentos com cirurgia, o procedimento ocorre antes de o bebê completar 1 ano de idade, sendo muitas vezes nos primeiros dias ou semanas de vida. Nos casos mais complexos de cardiopatias congênitas, quando assim for necessário para o bom desenvolvimento do bebê, costuma-se realizar uma estratégia de tratamento conhecida como híbrida, na qual utilizam-se cateterismo e uma ou mais intervenções cirúrgicas.
 
 
Fonte: Hospital e Maternidade Santa Joana

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