Pode até ser que você nunca tenha encarado uma cozinha antes, mas não se desespere. A alimentação do bebê começa de forma bastante simples, geralmente a partir dos 6 meses, e haverá tempo suficiente para elaborar suas técnicas até que ele precise de pratos mais inventivos.
E você ainda tem a chance de proporcionar uma alimentação mais saudável e natural para você e toda a sua família. A recomendação do governo brasileiro é de que se dê a comida o mais caseira possível para o bebê e que ele consuma basicamente os mesmos alimentos que o resto da família. É só preciso cuidado com o sal, que deve ser evitado e substituído pelo uso de temperos naturais, como alho, cebola e ervas.
Crianças menores de 2 anos não devem também comer doces e açúcar, seja branco, mascavo, mel, melado, xarope ou de outro tipo, incluindo adoçantes artificiais.
A recomendação dos especialistas, de modo geral, é começar apenas quando o bebê tem 6 meses, porque a partir desta idade a criança precisa de outros nutrientes além do leite materno ou da fórmula de leite para continuar a se desenvolver de forma saudável.

Em alguns casos específicos, o profissional de saúde que acompanha o bebê pode recomendar uma introdução alimentar mais cedo. Mas esta não é regra, especialmente para as crianças que mamam no peito.
Existe o costume de usar as frutas como a primeira novidade que o bebê vai experimentar. Elas entram no lugar de uma mamada ou outra, de preferência no começo ou meio da manhã e meio da tarde.
Como o sistema digestivo do seu filho ainda é imaturo, não exagere na dose e comece com frutas mais suaves, como maçã, banana, mamão ou pera.
Cada uma tem que ser dada separadamente primeiro (por ao menos três dias), para ser mais fácil de identificar uma eventual reação alérgica.
Ao dar as primeiras frutas, você pode tanto amassá-las com o garfo como cortá-las em pedaços para o bebê ir se acostumando a pegar com a própria mãozinha, no chamado método BLW. Tanto frutas como outros alimentos não devem ser batidos no liquidificador ou processador, para que a mastigação seja estimulada desde cedo.
Ou seja, você já ouviu muito falar de papa ou papinha de bebê, mas o ideal é que a consistência dos alimentos tenha algum tipo de textura mesmo no comecinho da introdução alimentar. Como a criança ainda não conhece os alimentos e está com o paladar em plena formação, é uma ótima chance de apresentar comida de verdade com todas as suas características.
Papinhas industrializadas
* Pode causar doenças
* Quantidade de nutrientes baixa
* Contêm muito sal e sódio
* Sabor muito ruim
* Não desenvolve a mastigação
Papinhas naturais
* Cheia de nutrientes
* Sabor delicioso
* Desenvolve a mastigação
* Melhora a coordenação motora
* Melhora a comunicação

Veja a seguir algumas sugestões simples para você se guiar.
Frutas
Banana
Descasque a fruta e amasse grosseiramente com um garfo. Sirva com uma colher de plástico ou silicone. Se preferir, pode também dar um pedaço de banana descascada para o bebê segurar com a mãozinha e explorar com a boca, sempre com um adulto atento por perto para evitar risco de engasgo.
(Bananas-maçãs tendem a prender o intestino, sendo recomendadas inclusive para o caso de diarreia, enquanto as nanicas soltam, sendo usadas até para combater a prisão de ventre.)
Mamão
Meio mamão-papaia: Lave bem a casca e depois corte o mamão na metade. Retire com uma colher as sementes pretas e só use a polpa. Amasse ou pique e dê com uma colher pequena de plástico ou silicone.
Maçã Vermelha
Lave bem a casca e corte a fruta na metade (você não precisa descascar). Com ajuda de uma colher pequena, vá raspando a polpa da maçã a partir da própria fruta.
Preste só atenção para que não escape nenhum pedacinho maior que possa engasgar seu filho. Prossiga da mesma forma com peras. Outra opção é assar levemente ou cozinhar as frutas no vapor.
A partir da aceitação de cada fruta individualmente, você pode começar a misturar duas delas para fazer uma mistura mais rica, como, por exemplo, banana com maçã, maçã com pera, mamão com laranja, manga com maçã, abacate com limão etc.
Alimentação “salgada”
Alimentação salgada é modo de dizer, já que é melhor não colocar nenhum ou colocar um mínimo de sal na comida do bebê. Isso porque o excesso de sal pode sobrecarregar os rins ainda em desenvolvimento. A comida a partir de agora entra na alimentação infantil para suprir as novas necessidades nutricionais e calóricas do corpo e da mente. Assim como as frutas, os alimentos devem ser introduzidas aos poucos.
O segredo para que seu filho aceite os novos sabores é a repetição (sim, às vezes só na décima vez ele vai parar de cuspir!) e, acima de tudo, paciência.
Depois de meses acostumado ao leite, é bem possível que ele faça muita cara feia até passar a apreciar o gostinho e a consistência da comida do dia a dia.
O pratinho ideal do bebê, segundo os especialistas, deve conter alimentos dos seguintes grupos: um cereal ou raiz/tubérculo (tipo arroz, batata), um grão/legume (feijão, lentilha, grão-de-bico etc), duas verduras ou legumes (como couve e abóbora) e uma proteína (carne, frango, peixe ou ovo). Cozinhe tudo bem muito, corte ou desfie carnes em pedaços pequenos e deixe a comida bem úmida para facilitar a aceitação e a deglutição. Experimente tudo o que oferecer para o bebê para ter certeza de que, embora de sabor suave, esteja gostoso.
A comida “salgada” pode ser primeiro servida na hora do almoço e, após algumas semanas, na hora do jantar também, substituindo as mamadas correspondentes. Após o almoço e o jantar, ofereça um pedaço de fruta de sobremesa.

Arroz e carne com cenoura e chuchu
100 gramas de carne (um bife pequeno de carne magra, como coxão duro ou músculo)
1 cenoura
1 chuchu
água filtrada ou caldo caseiro
Corte a carne em cubinhos e refogue em uma panela com um pouco de óleo vegetal. Quando a carne pegar uma corzinha, coloque a cenoura e o chuchu descascados e cortados em pedaços pequenos. Cubra com água filtrada e cozinhe, com tampa, em fogo baixo até que os legumes estejam amolecidos (aperte com um garfo). Corte em em pedacinhos ou desfie a carne e amasse os legumes com um garfo. Sirva com arroz bem cozido, só tomando cuidado para que não esteja quente demais. (Rende de 2 a 3 porções)
Carne com abóbora, mandioquinha (ou batata) e cenoura
100 gramas de carne bovina magra, como coxão duro ou músculo
1 fatia de abóbora
1 mandioquinha
1 cenoura
água filtrada ou caldo caseiro
Corte a carne em pedaços e refogue em uma panela com um pouco de óleo vegetal. Quando começar a ficar corada, acrescente a abóbora, a mandioquinha e a cenoura descascadas e grosseiramente cortadas. Cubra tudo com água filtrada, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo até que os legumes estejam amolecidos (a abóbora pode levar mais tempo que a cenoura). Separe a carne para cortar em pedaços pequenos e amasse o resto com um garfo. (Rende de 2 a 3 porções).
Frango com batata-doce, escarola e beterraba
100 gramas de peito de frango
1 batata-doce pequena
Meia beterraba
2 folhas de escarola cortadas em tiras
1/4 de cebola picada
Água filtrada
Corte o frango em pedaços e refogue, até começar a pegar cor, em uma panela com óleo vegetal. Acrescente a batata-doce e a beterraba descascadas e cortadas. Adicione a água até cobrir os ingredientes. Tampe e deixe no fogo até que tudo esteja cozido. Retire e, enquanto esfria, refogue a cebola na mesma panela com mais um fio de óleo vegetal. Junte a escarola e mexa até que murche. Retire, pique a escarola e faça então o prato do bebê com o resto dos ingredientes cozidos. (Rende de 2 a 3 porções).
Frango com mandioquinha, brócolis e beterraba
100 gramas de frango desossado (1 filé ou 1 coxa)
1 mandioquinha (batata-baroa)
3 ramos de brócolis
Meia beterraba
Água filtrada
Corte o frango em pedaços pequenos e refogue em uma panela com um fundo de óleo vegetal. Quando o frango começar a pegar cor, junte a mandioquinha e a beterraba descascadas e cortadas. Cubra com água e deixe cozinhar, com a panela tampada e o fogo baixo, até que os legumes estejam amolecidos. Nos últimos dois minutos de cozimento, acrescente os ramos de brócolis para cozinhar junto. Retire tudo da panela, separe o frango e o brócolis para cortar em pedaços pequenos e amasse o resto com um garfo. (Rende de 2 a 3 porções).
Frango com abobrinha, batata e cenoura
100 gramas de peito ou coxa de frango
1 abobrinha
1 cenoura
1 batata
Água filtrada ou caldo caseiro
Com o frango cortado em cubos, aqueça óleo vegetal em uma panela e refogue até que comece a dourar. Acrescente então a abobrinha, a batata e a cenoura descascadas e cortadas. Cubra tudo com a água e cozinhe lentamente até os legumes amolecerem. Retire o frango para cortar em pedacinhos ou desfiar e amasse a mistura restante com um garfo. (Rende de 2 a 3 porções).
Frango com batata-doce, espinafre e chuchu
100 gramas de peito ou coxa de frango
1 batata-doce
1 chuchu
3 folhas de espinafre
Água filtrada ou caldo caseiro
Corte o frango em pedaços e refogue no óleo vegetal até que comece a mudar de cor. Junte a batata-doce e o chuchu descascados e cortados. Acrescente a água filtrada até cobrir tudo e deixe cozinhando, em fogo baixo, até que tudo esteja amolecido. Nos dois minutos finais de cozimento, acrescente as folhas de espinafre cortadas em tiras. Separe o frango para desfiar ou cortar em pedacinhos, assim como espinafre, e amasse o resto com um garfo. (Rende de 2 a 3 porções).
Um jeito de se organizar para fazer sopas ou ter caldos nutritivos para acrescentar a qualquer comida é cozinhar uma panela grande só do caldo: um pedaço de carne magra ou um peito de frango, água filtrada, uma pitada de sal, uma cebola e algumas ervas, se quiser. Cozinhe tudo em panela tampada ou panela de pressão. Aí você congela o caldo em recipientes pequenos e no dia a dia cozinha os outros ingredientes das receitas acima direto no caldo, em vez de em água filtrada. Fica também muito fácil fazer sopas a partir do caldo já pronto, e você pode fazer um arroz mais nutritivo se usar caldo no lugar de água.
Depois de uma ou duas semanas com essas comidinhas bem básicas, vá acrescentando aos poucos outros ingredientes e combinações até chegar ao ponto de servir a mesma comida (se for caseira e nutritiva) oferecida ao resto da família.
No início, dê uma colher de sopa de cada alimento e não force o bebê a comer. É muito importante que crianças pequenas desenvolvam a capacidade de ouvir ao próprio corpo quando desejam parar. Respeite a saciedade do seu filho e não fique tentando compensar com guloseimas ou doces.
*Vale lembrar que essas comidinhas acima mencionadas, devem ser introduzidas a partir do sétimos mês. Primeiro deve se oferecer as papinhas de frutas e legumes, posterior á isso, cerca de um mês, inicie as receitinhas acima.
FONTE: Baby Center
Introdução alimentar. Dicas, receitas fáceis e saborosas
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